Water-Scrum-Fall e Metodologias Híbridas de Gestão de Projetos

As abordagens híbridas de gestão de projetos ganharam destaque nos últimos anos. Nesta abordagem, a organização tem a liberdade de mesclar práticas de diversas escolas de gestão, desde as preditivas ou tradicionais a ágeis e visuais. O Water-Scrum-Fall é uma abordagem híbrida usada para descrever uma situação em que uma empresa administra suas equipes de desenvolvimento de maneira ágil, enquanto faz interface com os processos de forma preditiva, mais tradicionais fora da equipe Scrum.

Defensores da abordagem ágil chegam a chamar o Water-Scrum-Fall de agilidade de fachada. Sugerem que, se for para implantar o “mindset” ágil, não deveríamos recorrer a essa abordagem por ser cansativa, dolorida e insustentável.

Por outro lado, uma abordagem flexível que abrace os princípios tradicionais e ágeis permite que as equipes do projeto usem as práticas e técnicas que melhor atendam às necessidades do problema que está sendo resolvido. Muitas organizações usam princípios ágeis e técnicas de comunicação Scrum em seu desenvolvimento diário de produtos, mas empregam metodologias tradicionais em cascata para planejar, orçar ou documentar o progresso do projeto.

E então, seria o Water-Scrum-Fall uma tentativa de aplicação de abordagem híbrida para Gestão de Projetos? Os problemas com o Water-Scrum-Fall desencorajariam a adoção de modelos híbridos de gestão de projetos? Vamos por partesL

O que é Water-Scrum-Fall?

A abordagem Water-Scrum-Fall originou-se do desejo de muitas organizações de adotar metodologias de desenvolvimento de software Agile combinadas com o fato de que a adoção do Agile foi liderada por profissionais ágeis, que naturalmente se concentram nos domínios em que podem influenciar: a própria equipe Scrum. Os domínios que ficam fora de seu controle, planejamento de projeto e gerenciamento de liberação ainda seguem a abordagem tradicional do Waterfall.

Water – Compreende o processo de planejamento inicial do projeto que ocorre geralmente entre o setor de TI e o negócio.

Scrum – A abordagem iterativa e adaptativa com a finalidade de entregar plano geral que foi gerado da fase anterior (“Water”).

Fall – Ciclo de lançamentos controlados e pouco frequentes, regido por políticas organizacionais e limitações de infraestrutura.

Qual o erro central no Water-Scrum-Fall?

A abordagem Water-Scrum-Fall assume a adoção do Agile era geralmente conduzida por profissionais técnicos e estes se concentram no domínio com o qual estão mais familiarizados, o que, na maioria dos casos, significa desenvolvimento de software. Logo, áreas como gerenciamento de releases ou planejamento de projetos ainda eram tratadas através de métodos tradicionais. Isso vem mudando, com a adoção de práticas ágeis fora dos limites da TI!

Esta mudança vai ditar novos rumos e expandir as práticas ágeis. De acordo com esta reportagem do site Valor Econômico, novos formatos de trabalho estão invadindo o dia a dia de grandes empresas. Este formato inclui ciclos curtos de entrega e feedbacks contínuos ao longo do processo. Os times multidisciplinares se reúnem para desenvolver produtos e serviços. Neste cenário, as paredes engessadas de áreas ou departamentos, como finanças, jurídico e RH, dão lugar a equipes organizadas para solucionar um desafio comum adotando ferramentas ágeis.

Pausa, as Metodologias Híbridas de Gestão de Projetos

Conforme explicamos, neste artigo, a expressão metodologias híbridas está presente em grande parte dos Escritórios de Projetos modernos, a Metodologia Híbrida é uma proposta que visa extrair o que há de melhor nas principais escolas de Gerenciamento de Projetos. Esta abordagem passa pelo pressuposto da combinação de ferramentas e práticas disponíveis após análise do cenário atual dos tipos de projetos executados pela organização. Relembramos abaixo a algumas escolas/abordagens, que você pode utilizar para elaborar sua própria metodologia de Gestão de Projetos.

Prince 2

O Framework PRINCE2® é apresentado como um padrão em gerenciamento de projetos utilizado em escala global. O PRINCE2 ajuda as organizações a entregar com sucesso projetos de qualquer tamanho ou complexidade e é construído a partir de uma riqueza de conhecimento e experiência. O framework PRINCE2 é composto de uma combinação das melhores práticas para gerenciamento de projetos e fornece métodos altamente acionáveis que podem ser integrados às metodologias ITIL, Agile e PMP.

PMBOK

O Project Management Body of Knowledge, ou Corpo de Conhecimento em Gestão de Projetos, ou simplesmente PMBOK é uma publicação do Project Management Institute, ou PMI, que consolida melhores práticas mundialmente aceitas sobre Gestão de Projetos! O PMBOK representa, portanto, o universo de conhecimento em Gerenciamento de Projetos. Trata-se de um conjunto de práticas e recomendações obtidas através das sucessivas experiências realizadas em empresas de vários tipos, ramos e tamanhos.

SCRUM

O Scrum é uma metodologia ágil usada para a gestão dinâmica de projetos. Ele é uma ferramenta que permite controlar as atividades, potencializando as equipes que trabalham em prol de um objetivo em comum. Nessa metodologia, os projetos são divididos em ciclos (Sprints). Esse último representa um Time Box dentro do qual um conjunto de atividade deve ser executado. As metodologias ágeis de desenvolvimento dividem o trabalho em iterações, que são chamadas de Sprints no caso do Scrum. Esta metodologia é essencial para muitas empresas atualmente, porque não apenas facilita a definição de objetivos, como também ajuda a cumprir os prazos estabelecidos.

Elaboramos, neste artigo, um guia de como estruturar uma abordagem híbrida de gestão de pretos em sua organização.

Abordagens híbridas, como Water-Scrum-Fall são erros?

Não devemos extrapolar os problemas encontrados com o Water-Scrum-Fall para todas as abordagens híbridas. Novamente, de acordo com os agilistas puristas, adotar princípios ágeis em apenas uma área da empresa é um equívoco. A mentalidade ágil deve permear toda a organização.

OK, podemos expandir a mentalidade ágil para toda a organização, mas ainda assim, trabalhar com abordagens híbridas e aproveitar boas ferramentas e práticas propostas pelas escolas de gestão de projetos acima citadas. Aliás, tanto o Guia PMBOK quanto o Prince2 já abordam práticas ágeis. Conhecê-los pode implicar seu leque de armas para enfrentar os desafios da gestão de projetos. Definitivamente, abordagens híbridas não são erros, e devem ser encorajadas.

Quer saber mais sobre o assunto?

  1. Metodologias Híbridas de Gestão de Projetos, 5 passos.
  2. Scrum, teoria e princípios

Sobre Hayala Curto

Sobre o Colunista: Hayala Curto, CEO da NetProject. Mestre em Informática e graduado em Ciência da Computação pela PUC-MG. MBA em Gerência de Projetos e MBA em Gestão Empresarial pela FGV.
Tem mais de 20 anos de experiência profissional, coordenando projetos de TI e implantando Escritórios de Projetos em clientes de diversos portes e segmentos. Participou da abertura de 3 empresas. A primeira faliu, a segunda foi vendida e atualmente trabalha como CEO na terceira.
É certificado PMP desde 2005, PMI-SP e PMI-RMP, pelo PMI. Também é certificado IPMA-C, Prince2 e CSM. Apaixonado por Gerenciamento de Projetos, atua como docente na área, em cursos de pós-graduação/MBA, desde 2009.

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