Lost, Dark e lições aprendidas em projetos.

Distantes 13 anos separaram o lançamento destas duas séries fantásticas. A saga de um grupo de sobreviventes do desastre aéreo com o voo 815 da Ocean Airlines foi ao ar em 2004. A trama que inocentemente começa com o sumiço de crianças, a cada 33 anos, na pacata cidade de Winden, teve o primeiro episódio exibido em dezembro de 2017

Percebemos diferenças claras na gestão de ambas as séries. Vejo que a principal parte interessada, o espectador, não foi tratada com o mesmo cuidado e atenção. Tanto Lost quanto Dark tratam temas complexos, variados conceitos científicos e filosóficos, que necessitavam de um adequado encadeamento e conexão dos conceitos apresentados. Vamos então a algumas recomendações ou lições aprendidas após acompanhar as duas séries.

Trate com cuidado a principal Parte Interessada de seu projeto!

Qual a parte interessada que justifica todo o esforço de seu projeto?

Lost se arrastou por 6 temporadas e perdeu o controle da jornada. Fica a dúvida se realmente os produtores de Lost sabiam do desfecho desde o primeiro episódio. O que se percebeu foi uma tentativa dos produtores de manter a série mesmo perdendo o contato com seus fãs, as principais partes interessadas e atendendo interesses dos patrocinadores em manter um enredo arrastado e cada vez mais confuso


Dark, aparentemente, se encerra agora, com três temporadas e um planejamento minucioso desde o começo da série. Isso mostra um cuidado com os espectadores e os seguidores dessa magnífica obra. Vale a pena a leitura desta crítica, que aponta a dificuldade em se manter a coerência e planejamento.

Começar até pode ser divertido, instigante e cheio de expectativa, mas definir um desfecho é um trabalho árduo e complexo, que exige muita perspicácia narrativa e alguns anos de planejamento.

Percebe-se aqui um jogo de interesses com pano de fundo financeiro. Claro que são mundos totalmente diferentes, separados pelo pré-NetFlix, em que uma série só podia ser acompanhada pelo canal pago ou pelos nada lícitos downloads de torrents. Ainda assim, o planejamento financeiro deveria prever a manutenção dos cuidados com a principal parte interessada do projeto.

Entregue o acordado, tomando cuidado com mudanças


Entregue o que está previsto no escopo de seu projeto, de acordo com as necessidades das partes interessadas, sem dourar a pílula e tomando cuidado com o Scope Creep.

Quantas mudanças de rumo e pontas soltas no enredo foram presentes em Lost? Em determinado momento, cheguei a duvidar da capacidade dos roteiristas em interligar todos os assuntos apresentados. A história cíclica e complexa de Dark, com seu roteiro desenvolvido com atenção aos mínimos detalhes, mostra uma obra que começa tão bem quanto desenvolve sua história ao longo dos capítulos.

Duas situações importantes valem ser destacadas neste momento.. O Gold Plating ou dourar a pílula, entregando mais do que o cliente espera e pagou, estaria presente? O Scope Creep, ou abismo de escopo que leva a constantes mudanças não controladas em projetos, mostrou sua cara?

Merdas acontecem, acompanhe riscos e imprevistos

Lost teve que lidar com greve de roteiristas de hollywood e com uma quantidade imensa de erros de gravação.

Dark acabou ficando tão complexa que disparou a necessidade de explicação em vários sites, além de ter sua reta final afetada pela pandemia do COVID-19. Também corre um boato sobre a pandemia sendo prevista pela série...

Trate os riscos que se materializam em ocorrências/problemas sempre tendo sua principal parte interessada como foco.

Exercício extra. Futurologia.

E se pudéssemos usar os recursos das séries em nossos projetos?

Seria realmente interessante usar as viagens no tempo de Dark para conseguir colocar o projeto nos eixos ou corrigir problemas que porventura tenham acontecido durante o projeto.

A capacidade de regeneração dos presentes na ilha de Lost também poderiam ajudar a manter a equipe sadia e disposta para enfrentar os desafios de qualquer projeto.

Por enquanto vamos ficar só na futurologia mesmo. Voltemos para os projetos no mundo real, com as ferramentas e tecnologias disponíveis para aumentar as chances de sucesso de nossos projetos.

Sobre Hayala Curto

Sobre o Colunista: Hayala Curto, CEO da NetProject. Mestre em Informática e graduado em Ciência da Computação pela PUC-MG. MBA em Gerência de Projetos e MBA em Gestão Empresarial pela FGV.
Tem mais de 20 anos de experiência profissional, coordenando projetos de TI e implantando Escritórios de Projetos em clientes de diversos portes e segmentos. Participou da abertura de 3 empresas. A primeira faliu, a segunda foi vendida e atualmente trabalha como CEO na terceira.
É certificado PMP desde 2005, PMI-SP e PMI-RMP, pelo PMI. Também é certificado IPMA-C, Prince2 e CSM. Apaixonado por Gerenciamento de Projetos, atua como docente na área, em cursos de pós-graduação/MBA, desde 2009.

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