Corrupção e falta de projetos desfalcaram os cofres públicos e os brasileiros

Recente reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, mostra os custos dos desvios em obras de infraestrutura no Brasil.

Os brasileiros que amam o país e procuram servi-lo da melhor forma possível, os famosos patriotas estão, a cada dia, diminuindo mais. O orgulho pelos símbolos nacionais está cada dia mais em baixa no Brasil. Mas uma notícia pode ser boa, os atuais acontecimentos estão dando lugar a pessoas que não se submetem ao fanatismo e estão dispostas a participar de mudanças que conduzam, de fato, a nossa realidade a um patamar melhor: uma alteração de sentimento patriótico que não se limita ao amor pelo futebol e que veio para ficar.

A corrupção do Brasil é histórica

No período da colonização portuguesa (por volta do século XVI) já se tem registros de corrupção no país. Existiam muitos casos de funcionários públicos, encarregados de fiscalizar o contrabando e outras transgressões contra a coroa portuguesa e ao invés de cumprirem suas funções, acabavam praticando o comércio ilegal de produtos brasileiros.

Esse breve relato de corrupção pode fazer com pensamos que essas práticas sejam culturais. Mas não se engane! O problema é a falta de gestão de projetos, de controle, de prestação de contas, de punição e de cumprimento das leis.

A corrupção da atualidade

A maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve, a lava jato, teve início em março de 2014 e dura até hoje. A Polícia Federal, autorizada pelo juiz Sérgio Moro, cumpriu mais de mil mandatos. No primeiro momento da investigação, foram investigadas e processadas quatro organizações criminosas lideradas por doleiros, que são operadores do mercado paralelo de câmbio. Depois, o Ministério Público Federal recolheu provas de um imenso esquema criminoso de corrupção envolvendo a Petrobras.

O Brasil paga um preço alto

Segundo matéria exibida no fantástico, o Tribunal de Contas da União calculou o preço da corrupção para o país. Considerando as obras de infraestrutura (ferrovias, portos, aeroportos, transposição do rio São Francisco, hidrelétricas) realizadas no país desde os anos 1970, o governo pagou algo entre 17% e 35% a mais do valor real dessas obras. Um valor que pode variar entre R$100 e $300 bilhões de reais. Um montante que daria para construir, casas, hospitais, escolas ou, em termos práticos, se fosse devolvido para cada brasileiro, daria o valor de R$1.500 reais para cada um. Em alguns contratos da Petrobrás, por exemplo, o superfaturamento de aquisição ou obras chega a 200% se comparado a tabelas com valores desses mesmos serviços pesquisados pelo IBGE e pela Caixa Econômica.

Nesta mesma matéria, o economista Claudio Frischtak, doutor em economia pela Universidade de Stanford, conta que o maior problema dessas obras superfaturadas é a falta de planejamento. Segundo ele “para cobrar mais as obras não eram feitas muito direitinho. Ou seja, você não tinha projeto executivo, às vezes nem mesmo um projeto básico. Você vai começar uma obra na sua casa, sem projeto, qual a tendência? Dar errado, custar mais, atrasar…”, explica.

Não existe nenhum segredo! A falta de um planejamento com indicadores técnicos, que inclua o acompanhamento e a avaliação permanentes, resulta em uma série de problemas em qualquer instituição. Com nosso país não seria diferente. Fazer sem planejar e fiscalizar são um risco a saúde política e financeira do país. Colocar o planejamento e a busca de informações em primeiro lugar é o único passo para que a nação seja bem sucedida.

Assista a matéria do fantástico na íntegra: https://goo.gl/uap58l

 

 

Sobre admin

Sobre o Colunista: Hayala Curto, CEO da Seed e idealizador do software NetProject. Principal acionista da empresa, Hayala é Mestre em Informática e graduado em Ciência da Computação pela PUC-MG. MBA em Gerência de Projetos e MBA em Gestão Empresarial pela FGV.
Tem mais de 15 anos de experiência profissional, coordenando projetos de TI e implantando Escritórios de Projetos em clientes de diversos portes e segmentos. Participou da abertura de 3 empresas. A primeira faliu, a segunda foi vendida e atualmente trabalha como CEO na terceira.
É certificado PMP desde 2005, PMI-SP e PMI-RMP, pelo PMI. Também é certificado IPMA-C, Prince2 e CSM. Apaixonado por Gerenciamento de Projetos, atua como docente na área, em cursos de pós-graduação/MBA, desde 2009.

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