Bandersnatch e a Gestão de Projetos

Você certamente já tenha tomado conhecimento da nova empreitada tecnológica da Netflix, o filme Bandersnatch.

Confesso que fiquei contente com a possibilidade de se definir o caminho do personagem durante o filme. Contente mas não surpreso.

De amantes dos Role Playing Games, RPG’s, aos saudosistas do famoso Você Decide, da Rede Globo, a possibilidade de tomar decisões durante o percurso da história não é novidade..

Agora, temos um outro personagem que pode, literalmente, definir caminhos de sucesso ou fracasso de um projeto.

Ele mesmo, o famoso Gerente de Projetos. Para alguns, a figura de comandante central de uma equipe está antiquada e ultrapassada, como avaliam os amantes das equipes auto-gerenciáveis e das práticas ágeis.

Para mim, nunca antes na história desse país, a figura de um comandante de equipe centrado e equilibrado se fez necessária.

Pois bem, o que Bandersnatch pode nos contar sobre a Gestão de Projetos e Gerente de Projetos?

Atenção, contém spoilers!!

 

As escolhas do Gerente de Projetos

Após receber a incumbência de comandar o Projeto, do Patrocinador do Projeto, pelo Termo de Abertura do Projeto, o gerente vive tomando decisões.

Como montar a equipe, como controlar as entregas e os prazos do projeto? Vou usar uma Estrutura Analítica de Projetos, vou precisar controlar o tempo por um cronograma ou apenas um Quadro Kanban com Sprints resolve?

Durante a execução do projeto que as escolhas são ainda mais difíceis, já que um esforço inicial na condução do projeto já foi realizado, e o custo de mudanças aumenta consideravelmente. Por falar em mudanças, estas devem, em última instância, serem aprovadas pelo Patrocinador, caso impactem consideravelmente os resultados esperados do projeto.

Assim sendo, quem tem as rédeas do Projeto? Quem toma as decisões? O Gerente do Projeto ou o Patrocinador do Projeto?

 

A insana pressão por prazos

Uma passagem no filme me chamou atenção. Para conseguir entregar o jogo/projeto no prazo, parte do escopo deveria ser removida.

Relembrando a famosa restrição tripla, que depois se transformou em quádrupla e agora já se pode considerar “deca”:

Qualquer modificação em uma das áreas de conhecimento de projetos, pode afetar as demais: Escopo, Cronograma, Custo, Qualidade, Recursos Humanos, Riscos, Aquisições, Comunicação, Partes Interessadas e Integração estão fortemente relacionadas, como defende do famoso Guia de Melhores Práticas em Gerenciamento de Projetos, o PMBOK.

No filme, o resultado do corte de escopo, em um dos finais possíveis claro, é um desastre na avaliação do jogo.

 

O sucesso do Projeto

Em Bandersnatch não existe Final Feliz!

Viver em harmonia com o pai, em plenas condições psicológicas e o jogo sendo um sucesso ficou fora de cogitação.

 

Uma lista rápida dos possíveis finais:

 

1) Matar o seu pai e esquartejá-lo ou enterrá-lo.  Nestes dois finais o você é preso e o jogo é lançado de qualquer jeito, fazendo mais sucesso devido ao histórico de seu criador

2) Lutar com a psicóloga e o seu pai te arrasta para fora do consultório ou

3) Tentar fugir pulando pela janela e perceber que o mundo é fictício e todos são atores.

4) Acompanhar a sua mãe em sua viagem de trem e morrer no processo. Você morre naturalmente no escritório da psicóloga com esta opção.

5) Um final em que o jogo é um sucesso, mas devido ao assassinato, os jogos são recolhidos das prateleiras.

Percebam que sempre um aspecto é penalizado. Lembrei-me da Abordagem Diamante. Indico fortemente a leitura do livro “Reinventando gerenciamento de projetos : a abordagem diamante ao crescimento e inovação bem-sucedidos”, de Aaron J. Shenhar e Dov Dvir.

Informações confiáveis ajudam na tomada de decisões

A presença de informações consolidadas sobre a situação do projeto, no que tange a prazos, custos, partes interessadas e riscos, por exemplo ajuda na assertividade das decisões do Gerente. Decisões  sem  informações, baseadas apenas no “feeling”, podem complicar bastante a execução do projeto.

E onde o gerente pode conseguir estas informações? Aqui entram em cena os famosos softwares PPM, ou Project and Portfólio Management ou softwares de Gestão de Projetos e Portfólio. Estes são os aliados do gerente e a utilização dos mesmos tem crescido bastante no Brasil.

A tomada de decisões não é tarefa fácil nos projetos. Os Gerentes de Projeto devem munidos de informações confiáveis para uma tomada de decisão assertiva

Ferramentas não podem falhar

Falhas de memória e erros de código afetam o resultado do jogo durante o filme.

O mesmo acontece com a Gestão de Projetos, não adianta lançar mão de ferramentas simples para projetos complexos.

Não é possível controlar um grande projeto sem utilizar um cronograma, por exemplo.

Um Quadro Kanban não substitui o Cronograma!

A Alta Administração vai desejar uma visão agrupada dos projetos. Como apresentar prazos, custos, riscos e outros aspectos do projeto?

Saiba também que a maturidade em Gestão de Projetos aumenta com o tempo, requerendo cada vez mais uma ferramenta/software que consiga atender a esta evolução.

Para finalizar algumas palavras do criador da série, Charlie Brooker:

“Há escolhas a serem feitas, desafios a serem superados, perigos a serem encontrados e, como tudo na vida, consequências a serem enfrentadas. Escolher sabiamente pode levar ao triunfo, mas seguir o caminho errado pode terminar em desastre — mas quem diz o que é ‘certo’ e ‘errado’? E não se preocupe, porque uma vez que a experiência chega ao fim, você pode — e deve! — voltar e fazer uma nova escolha, alterando a sua trajetória e quem sabe até transformando o final”.  

 

Você não terá a mesma facilidade ao Gerenciar Projetos.

Embora não seja possível retornar e refazer uma escolha, o gerente pode se cercar de conhecimento e ferramentas que o auxiliem na melhor condução dos projetos.

 

Já fez sua escolha?

 

 

 

Sobre Hayala Curto

Sobre o Colunista: Hayala Curto, CEO da NetProject. Mestre em Informática e graduado em Ciência da Computação pela PUC-MG. MBA em Gerência de Projetos e MBA em Gestão Empresarial pela FGV.
Tem mais de 20 anos de experiência profissional, coordenando projetos de TI e implantando Escritórios de Projetos em clientes de diversos portes e segmentos. Participou da abertura de 3 empresas. A primeira faliu, a segunda foi vendida e atualmente trabalha como CEO na terceira.
É certificado PMP desde 2005, PMI-SP e PMI-RMP, pelo PMI. Também é certificado IPMA-C, Prince2 e CSM. Apaixonado por Gerenciamento de Projetos, atua como docente na área, em cursos de pós-graduação/MBA, desde 2009.

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